Introdução
A gestão municipal do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta desafios crescentes relacionados à complexidade das políticas públicas, à sobrecarga decisória e à necessidade de respostas ágeis e articuladas. Nesse cenário, inovar não se restringe à adoção de novas tecnologias, mas inclui a criação de estratégias de apoio institucional que promovam escuta qualificada, cuidado e fortalecimento da capacidade de gestão. As reuniões territoriais mensais, realizadas previamente às instâncias da Comissão Intergestores Regionais (CIR) e da Câmara Técnica, configuram-se como uma estratégia estruturante para qualificação das práticas de gestão, ao favorecer a reflexão coletiva, a troca de experiências e a construção compartilhada de soluções, fortalecendo a regionalização e os processos decisórios no território.
Objetivos
Descrever e analisar a experiência das reuniões territoriais mensais como estratégia de apoio ao gestor municipal e à gestão do SUS, destacando sua contribuição para o fortalecimento da governança regional, da regionalização e das pactuações interfederativas.
Metodologia
Trata-se de um relato de experiência, de abordagem qualitativa, fundamentado na observação sistemática e na análise dos registros das reuniões territoriais mensais realizadas no âmbito das CIR. As reuniões contam com a participação de gestores municipais, apoiador do COSEMS e, em momentos específicos, equipes técnicas. O processo é organizado a partir de calendário anual pactuado, com metodologia participativa, construção prévia das pautas, levantamento antecipado de demandas municipais, análise de normativas recentes e discussão de diretrizes e programas federais e estaduais.
Resultados e discussão
A institucionalização das reuniões territoriais fortaleceu o vínculo entre gestores, ampliou a corresponsabilização regional e qualificou o debate sobre temas estratégicos, como regulação, saúde mental, atenção especializada e educação permanente. Observou-se maior consistência técnica e política nas discussões realizadas nas reuniões da CIR e da Câmara Técnica, bem como maior segurança dos gestores para o diálogo com prefeitos e instâncias legislativas. O território consolidou-se como espaço de apoio institucional e cuidado, reduzindo o isolamento do gestor e reforçando a gestão como prática coletiva e compartilhada.
Considerações finais
A experiência evidencia que inovar também é cuidar: cuidar do gestor, dos processos de gestão e do território. As reuniões territoriais configuram-se como uma estratégia eficaz de apoio ao cotidiano da gestão municipal, fortalecendo a regionalização do SUS e promovendo uma gestão mais integrada, solidária e resolutiva. Trata-se de uma prática replicável, de baixo custo e alto impacto, alinhada aos princípios do SUS e às diretrizes da gestão interfederativa.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.
BRASIL. Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011. Regulamenta a organização do SUS, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa.
BRASIL. Ministério da Saúde. Regionalização da Saúde no SUS: avanços e desafios. Brasília: Ministério da Saúde, 2018.
COSEMS-SP. Apoio institucional e fortalecimento da gestão municipal no SUS. São Paulo: COSEMS-SP, publicações institucionais.
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