Introdução
O apoio institucional constitui-se como um importante dispositivo de fortalecimento da gestão no Sistema Único de Saúde (SUS), fomentando espaços de diálogo, reflexão crítica e construção coletiva, com vistas à transformação das práticas institucionais e qualificação da tomada de decisão (CAMPOS, 2000). Nesse cenário, destaca-se a atuação da Rede CONASEMS–COSEMS como estratégia fundamental no fortalecimento da gestão municipal do SUS.
Objetivos
Descrever a experiência intitulada Sala de Apoio, desenvolvida no âmbito do apoio institucional à gestão municipal no Rio Grande do Sul (RS), visando divulgar a estratégia, contribuir para a reflexão sobre seus efeitos e potencialidades e fomentar sua replicação em outros territórios do país.
Metodologia
Trata-se de um relato de experiência sobre a “Sala de Apoio”, atividade desenvolvida em três macrorregiões de saúde do RS. A iniciativa configura-se como um espaço virtual de acolhimento aos gestores municipais, destinado ao esclarecimento de dúvidas, à orientação técnica e ao apoio na organização e implementação das ações pactuadas. A proposta surgiu por intermédio da Oficina de Verificação dos Planos de Saúde, realizada em São Paulo, em julho de 2025. O intercâmbio técnico com profissionais de diversas regiões do país evidenciou um desafio comum: a complexidade na operacionalização dos instrumentos de gestão do SUS e a necessidade de um suporte mais ágil e dialógico. Motivado por essa troca de experiências, surgiu o projeto de criar espaços virtuais de suporte técnico. As atividades ocorrem semanalmente, em horário fixo, com comunicação dinâmica por meio de grupos técnicos de WhatsApp, garantindo agilidade, organização e maior engajamento dos gestores e técnicos participantes.
Resultados e discussão
Destaca-se que as pautas centrais do projeto se concentram na elaboração do Plano Municipal de Saúde (2026-2029), na Programação Anual de Saúde (PAS 2026) e nos Relatórios Detalhados do Quadrimestre Anterior (RDQA). Inicialmente, as atividades foram marcadas por um suporte prático e emergencial, em que o sistema DigiSUS era acessado em tempo real para orientar os técnicos sobre o preenchimento adequado das análises e a importância da fidedignidade dos dados apresentados. Contudo, salienta-se que além do suporte normativo e sistêmico, as Salas de Apoio consolidaram-se como um espaço de escuta qualificada, uma vez que permitiram acolher as demandas sobre os processos de trabalho internos e os desafios da gestão municipal.
Considerações finais
A Sala de Apoio possibilitou o esclarecimento de dúvidas técnicas e operacionais, além da discussão dos desafios enfrentados pela gestão municipal, favorecendo a construção coletiva de soluções e o fortalecimento da capacidade gestora. A iniciativa também ampliou a flexibilidade de participação, otimizou o tempo dos gestores e qualificou a escuta, contribuindo para a Educação Permanente e a apropriação das pautas da região de saúde.
Referências
CAMPOS, Gastão Wagner de Sousa. Um método para análise e cogestão de coletivos. São Paulo: Hucitec, 2000.
Contato
janise.fagundes@cosemsrs.org.br