Introdução
O planejamento no SUS constitui eixo estruturante da gestão, ao conectar necessidades de saúde da população, o projeto político e o orçamento público. Ainda assim, observa-se que gestores municipais enfrentam dificuldades para compreender e operacionalizar esses elementos de forma integrada. Nesse contexto, o apoio institucional exerce papel fundamental ao atuar como mediador, aproximando normas e diretrizes da realidade concreta dos territórios. Com o intuito de qualificar esse processo, apoiadores do Cosems-MG desenvolveram uma estratégia comunicacional, utilizando a metáfora “O trem que faz o SUS andar” como recurso pedagógico para apoiar gestores municipais e suas equipes na construção dos instrumentos de gestão.
Objetivos
Qualificar a apropriação dos instrumentos de planejamento do SUS por gestores municipais e suas equipes, a partir de uma abordagem comunicacional e pedagógica, conduzida pelos apoiadores em todo território mineiro, com foco na tradução de conteúdos técnicos em linguagem acessível e contextualizada.
Metodologia
A experiência foi construída de forma coletiva pelos apoiadores, envolvendo criação do nome, conceito e identidade visual: Planejamento “O trem que faz o SUS andar”. A metáfora posiciona o planejamento como força motriz do SUS e organiza-se a partir de elementos-chave: o trem, representando a gestão municipal; os trilhos, os instrumentos de planejamento e monitoramento; os vagões, as redes de atenção e as equipes de saúde; os passageiros, os usuários do SUS; e o maquinista, o gestor responsável pela condução do sistema. A partir desse conceito, foi elaborada uma apresentação padrão, com conteúdo técnico alinhado à legislação e ao Guia Orientador para a elaboração do PMS. O material foi utilizado em oficinas regionais, capacitações e ações de apoio, sendo replicado nos territórios e divulgado nas redes sociais institucionais.
Resultados e discussão
A estratégia alcançou 942 gestores e técnicos, abrangendo 650 municípios mineiros. A avaliação das oficinas indicou elevada aceitação: 93,3% dos participantes concordaram totalmente que a abordagem atendeu às expectativas; 94,3% apontaram contribuição para o aprimoramento da atuação; e 92,8% avaliaram positivamente a metodologia. Quanto à organização do tempo, 87,6% manifestaram concordância total. A avaliação geral da apresentação alcançou média de 4,89 em escala de 1 a 5, reforçando a efetividade da abordagem comunicacional e pedagógica no apoio à apropriação dos instrumentos de planejamento do SUS.
Considerações finais
A experiência demonstrou que inovar no apoio institucional também significa cuidar da gestão, ao traduzir conteúdos normativos complexos em materiais acessíveis e conectados à realidade dos gestores. A estratégia “O trem que faz o SUS andar” reforça o papel dos apoiadores como mediadores pedagógicos nos territórios, contribui para o fortalecimento da gestão municipal e da governança regional e apresenta potencial de replicação em outros contextos do SUS.
Contato
lucilene@cosemsregional.org.br