Introdução
A Região de Saúde Alto Uruguai enfrenta historicamente desafios na articulação entre gestores municipais e qualificação das práticas de Atenção Primária à Saúde (APS). A heterogeneidade dos municípios, a rotatividade de gestores e a falta de espaços adequados para formação compartilhada dificultam o engajamento, a troca de experiências e a construção de conhecimento e pactos regionais.
Objetivos
Relatar a experiência de mobilização dos gestores municipais quanto a realização e participação de oficinas de capacitação em APS. Demonstrar como o papel do apoiador é determinante para motivar a presença de secretários municipais, criar espaços de diálogo qualificado e fortalecer o senso de pertencimento à região de saúde.
Metodologia
No decorrer das reuniões de CIR foi observado a fragilidade no processo de capacitação da APS. Mediante a escuta ativa e com o mapeamento da região, junto a assessora central de APS do COSEMS, foi realizada uma oficina de capacitação na região em 08/2025. Com essa oportunidade, a comunicação e o envolvimento dos gestores foram promovidos pelo apoiador COSEMS, realizando a conscientização da participação dos secretários municipais nesses espaços, para melhoria do serviço de saúde. A oficina utilizou de metodologias participativas e dialogadas; espaços de escuta das realidades locais e regionais; discussão de desafios comuns à APS; construção coletiva de propostas de alinhamento técnico político.
Resultados e discussão
A oficina contou com a participação de aproximadamente 50 participantes, sendo que 12 dos 13 secretários municipais de saúde (92% de presença) estiveram presentes, índice significativamente superior ao histórico de comparecimento observado em encontros regionais anteriores. Observou-se elevado nível de engajamento ao longo da oficina, com discussões qualificadas sobre desafios comuns, compartilhamento de boas práticas e construção de pactos regionais. Os gestores relataram fortalecimento do sentimento de pertencimento à região de saúde, pelos problemas e dificuldades semelhantes, bem como o reconhecimento das interdependências entre os municípios, e detectaram soluções para problemas existentes. O diálogo promoveu o interesse dos gestores em qualificar cada vez mais os profissionais, e colaborou para a participação de todos, em oficina promovida pelo Ministério da Saúde, em novembro de 2025, em Florianópolis, mesmo diante da distância territorial.
Considerações finais
A Oficina demonstra que espaços de formação compartilhados, quando bem articulados, transformam-se em potentes catalisadores de governança colaborativa e compromisso técnico político entre gestores municipais. A alta adesão e apoio de secretários municipais, aliada à qualidade dos diálogos, demonstra que o papel do apoiador vai além da orientação, mas integra também um papel de mediação, articulação e valorização do coletivo, sendo necessário sempre promover e reconhecer espaços de Educação Permanente.
Referências
Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS).
Contato
jacqueline@unochapeco.edu.br