Introdução
No cotidiano do COSEMS/PR, os apoiadores atuam em um território sensível e estratégico: são mediadores de saberes, tecedores de diálogos, provocadores e semeadores da Educação Permanente em Saúde (EPS). Abrir uma oficina para falar de gênero, raça, etnia e interseccionalidade foi, antes de tudo, um convite ao incômodo produtivo, ao deslocamento de certezas e à construção de conhecimento para uma prática que reconhece as diferenças como fundamento da equidade, em sintonia com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).
Objetivos
Promover compreensão crítica sobre esses marcadores sociais, analisar como discriminações estruturais produzem desigualdades em saúde, sensibilizar apoiadores para reconhecer práticas institucionais excludentes e fortalecer sua atuação como multiplicadores de estratégias formativas e práticas orientadas à equidade.
Metodologia
Trata-se de um relato de experiência de uma oficina formativa conduzida por Nadiane Carla Schlosser, apoiadora e mestranda em Direitos Humanos, em parceria com o Programa de Pós-Graduação Profissional em Direitos Humanos da UFFS, com certificação aos participantes. A atividade, com duração de quatro horas, reuniu a equipe técnica do Cosems, articulando exposição dialogada, dinâmicas reflexivas e estudos de caso elaborados pela autora, a partir de situações concretas.
Resultados e discussão
Os participantes relataram ampliação do repertório conceitual e maior segurança para abordar o tema em espaços de gestão e formação, destacando falas como: “Sair da zona de conforto é uma necessidade constante, obrigado pela provocação!” e “Eu amei ter em nosso espaço de capacitação esses temas, acho que poderíamos continuar com assuntos como esse em nossas formações de equipe”. O encontro tornou-se espaço de escuta, afetação e deslocamento, onde apoiadores revisitaram seus lugares, práticas e responsabilidades. A potência da proposta foi reconhecida pelo convite da Escola de Saúde Pública de São José dos Pinhais/PR para sua reprodução, indicando sua replicabilidade em outros territórios.
Considerações finais
A experiência evidencia que metodologias críticas e participativas podem produzir mudanças concretas e fortalecer a EPS orientada à equidade e aos direitos humanos. Formar apoiadores para a equidade é formar sujeitos implicados com a transformação do SUS, capazes de tensionar silêncios, nomear desigualdades e reinventar modos de gerir e cuidar. O apoio institucional é território vivo de ações políticas, pedagógicas e éticas, e propõe-se que a interseccionalidade seja um dos eixos estruturantes da EPS e dos dispositivos de apoio, superando ações pontuais e assumindo compromisso político das práticas, com olhar permanente e inegociável para a justiça social. Institucionalizar esse debate é afirmar a equidade como princípio pulsante do SUS, em consonância com os ODS 5, 10 e 16 da Agenda 2030.
Referências
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