Introdução
A regionalização do SUS se constrói no passo dos encontros tecidos nos espaços de governança interfederativa, onde o pacto ganha corpo, especialmente na Comissão Intergestores Regional (CIR). Contudo, esses espaços são atravessados por fragilidades políticas, descontinuidade de agendas e vínculos ainda em construção entre os municípios, dificultando a sustentação dos processos regionais. No Nordeste brasileiro, território de resistência, a 8ª Região de Saúde do RN — o Vale do Açu —, vinculada à II URSAP, reúne 12 municípios e cerca de 158 mil habitantes, marcados por vazios assistenciais e fragmentação da rede. Nesse cenário, o apoio institucional se firma como dispositivo político-pedagógico, capaz de fortalecer a CIR, qualificar o debate e sustentar processos. O Projeto Saúde Redes atuou como movimento que impulsionou essa travessia, reativando a CIR e construindo uma agenda regional compartilhada. Regionalizar, aqui, é mais que um pacto formal: é cuidado cotidiano com a vida que pulsa no território.
Objetivos
Relatar a experiência do apoio institucional no Vale do Açu/RN, evidenciando suas contribuições para o fortalecimento político da CIR e a qualificação da governança regional, a partir do Projeto Saúde Redes.
Metodologia
Relato de experiência, de abordagem qualitativa, construído a partir da presença do apoio institucional do COSEMS/CONASEMS no Projeto Saúde Redes, em articulação com os gestores, SEMS-RN, II URSAP, Associação dos Prefeitos do Vale do Açu. O percurso incluiu escuta qualificada, mediação política, presença sistemática na CIR, oficinas regionais e processos formativos. O caminho foi atravessado por desafios como o período eleitoral de 2024, mudanças de gestão e a irregularidade inicial das reuniões da CIR.
Resultados e discussão
A atuação do Projeto Saúde Redes, articulada ao apoio institucional, reposicionou a CIR como espaço central de decisão política. Observou-se ampliação da participação e do protagonismo político dos secretários, qualificação das pautas e fortalecimento da cultura do pacto. Destacam-se avanços nas agendas do SAMU e do Programa Agora Tem Especialistas/OCIs, a efetivação do consórcio interfederativo, as ações para o retorno da diálise em Assú e a adesão de todos os municípios às agendas diversas. O processo favoreceu a aproximação entre atores do território, a análise coletiva da atenção ofertada e a consolidação da CIR como chão comum, um espaço vivo de escuta, diálogo e deliberação.
Considerações finais
A experiência evidencia que o Projeto Saúde Redes, aliado ao apoio institucional, fortaleceu a CIR como eixo estruturante da regionalização no Vale do Açu, impulsionando protagonismo político, cooperação interfederativa e planejamento ascendente. Regionalizar, nesta experiência nordestina, revelou-se como exercício permanente de tecer encontros e sustentar pactos no tempo, transformando fragilidades em travessia coletiva no território e afirmando o SUS como prática de cuidado e resistência.
Referências
SESAP/NESC/RN. Implementação da regionalização da saúde no RN. Vol. I e II. 2008.
BRASIL. Ministério da Saúde. Regionalização da Saúde no SUS. 2010.
BRASIL. Ministério da Saúde. HumanizaSUS: apoio institucional. 2011.
CONASEMS. Projeto Saúde Redes. 1. ed. 2025.
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