Experiências que transformam:
uma rede em movimento
Governança em colaboração: Fortalecimento das CIRs (espaços de governança do SUS)

Gamificação como Ferramenta de Fortalecimento da Governança Regional no SUS

Autor: Adriana Moutinho de Amorim | Apoiador(a) | COSEMS Rio de Janeiro
Coautor(es): D’Stefano Marcondes de Lima e Silva, Maria de Fátima Brito de Rezende, Taciane Pereira Maia, Solange Isabel das Graças Cirico Costa
ID: 030

Introdução

A Comissão Intergestores Regional da Baixada Litorânea (CIR-BL) enfrentou um esvaziamento na participação técnica e política, acentuado pela transição municipal de 2025. A chegada de representantes com pouca experiência no SUS ou formação insuficiente em políticas públicas tornou-se um obstáculo grande desafio para a continuidade do Plano Regional Integrado (PRI), essencial na organização das redes de atenção e superação de vazios assistenciais. Nesse cenário, a apoiadora regional do Cosems-RJ atuou como indutora para resgatar o protagonismo dos atores locais.

Objetivos

Fortalecer a compreensão técnica e política sobre a CIR e sua articulação com o PRI; promover o alinhamento conceitual entre os membros da Câmara Técnica (CT) e do Grupo Condutor de Redes (GC Redes), e; qualificar a construção coletiva e a governança interfederativa.

Metodologia

Baseada no planejamento da Estratégia Apoiadores Regionais do Cosems-RJ, a atividade utilizou a gamificação como estratégia pedagógica. Foi aplicado um jogo de dominó de perguntas e respostas fundamentado no módulo 4 do curso Ser Gestor SUS (CONASEMS) e no Decreto nº 7.508/2011. A dinâmica contou com a participação da CT (integral), do GC Redes (articuladores de 9 dos 11 grupos), da CIR (5 de 6 representantes), além do Núcleo Descentralizado de Vigilância em Saúde e do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Baixada Litorânea.

Resultados e discussão

A mediação da apoiadora traduziu a densidade normativa em linguagem acessível e prática. A gamificação quebrou barreiras entre veteranos e recém-chegados facilitando a compreensão de que a governança regional depende da articulação federativa interfederativa. O PRI passou a ser compreendido como planejamento regional estratégico, e não apenas um rito burocrático. A confiança gerada pela dinâmica levou o município de Casimiro de Abreu a voluntariar-se como polo de replicação. Além disso, a secretaria executiva da CIR firmou parceria com o Cosems-RJ para atividades descentralizadas, visando sensibilizar gestores sobre a importância da governança.

Considerações finais

A experiência demonstrou que metodologias ativas, quando mediadas por uma figura indutora como o apoio regional, constituem ferramentas potentes para mitigar os impactos da rotatividade técnica e política. Ao resgatar os fundamentos do SUS através do lúdico, a apoiadora reconectou os técnicos à lógica da regionalização. O fortalecimento da CT e do GC Redes é um passo essencial para garantir que a governança regional seja robusta e menos impactada pelas instabilidades das transições municipais. Esse protagonismo na condução da dinâmica gerou um movimento de descentralização, induzida pelo Cosems-RJ e em parceria com a Secretaria Executiva da CIR, visando sensibilizar gestores titulares e suplentes, aumentando a adesão na participação e a legitimidade das decisões pactuadas.

Referências

BRASIL. Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011. Regulamenta a Lei nº 8.080/1990, para dispor sobre a organização do SUS, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 29 jun. 2011.

FRANCO, M. S.; BRETAS JUNIOR, N.; LACERDA, R. C. F. Curso Ser Gestor SUS: o planejamento do SUS na região. Brasília, DF: CONASEMS, 2024.

SANTOS, L. Região de saúde e suas redes de atenção: modelo organizativo-sistêmico do SUS. Ciência & Saúde Coletiva, v. 22, n. 4, p. 1281-1289, 2017.

Contato

adrianamoutinho@gmail.com

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