Introdução
A Região Rio Caeté, integrante da Macro II do Pará, é composta por 16 municípios e caracteriza-se por uma geografia extensa com áreas remotas de difícil acesso, marcadas por estradas de chão batido e isolamento por atoleiros em períodos chuvosos. Apesar desses desafios logísticos, a região destaca-se pela presença de gestores comprometidos e por uma capacidade instalada ambulatorial e hospitalar que a consolida como referência regional. Nesse contexto, a atuação da apoiadora utiliza a Educação Permanente em Saúde (EPS) como ferramenta essencial para fortalecer a gestão regional e preparar o SUS frente às vulnerabilidades socioambientais e sazonais.
Objetivos
Relatar a experiência da apoiadora da região Rio Caeté por meio de ações de Educação Permanente no território, focadas na prevenção e mitigação de danos causados por eventos climáticos extremos.
Metodologia
A experiência teve origem em 2022, a partir da atuação em Ourém, um dos municípios que compõe a região, durante uma inundação intensa causada pelo transbordamento do rio local, que gerou graves transtornos aos serviços de saúde. Diante da necessidade de preparar a região para eventos sazonais, adotou-se a EPS como estratégia de prevenção. Foram realizadas oficinas com Conselheiros Municipais de Saúde e reuniões intersetoriais envolvendo as Secretarias de Saúde, Meio Ambiente e Vigilância em Saúde para capacitar sobre a proteção de áreas de risco e o protagonismo do controle social.
Resultados e discussão
A atuação no território viabilizou a condução de processos formativos que integraram a saúde à preservação ambiental, com foco em áreas de manguezal e leitos de rios. Como resultado dessa articulação técnica e pedagógica, a apoiadora mediou a construção de um Plano Urgente de Contingência com suporte financeiro estadual e coordenou a integração entre as secretarias. Sob sua orientação, foram implementadas ações práticas de sensibilização para a proteção de áreas de mangue, combate à poluição de igarapés e incentivo ao reflorestamento. Essa mobilização, garantida pela presença do tema como pauta permanente na CIR Rio Caeté, permitiu que outros municípios implementassem sistemas de sinalização para riscos climáticos. Além disso, a articulação da apoiadora foi fundamental para tornar realidade a sede da Defesa Civil em Ourém. Em 2025, o debate foi elevado pela apoiadora para o nível estratégico em conferências e plenárias de saúde, discutindo financiamento e os impactos das mudanças climáticas no SUS, conectando o saber local às discussões globais da COP 30 no Pará.
Considerações finais
A atuação da apoiadora da região demonstra que a Educação Permanente é o caminho para transformar crises em processos de fortalecimento da gestão local. A integração intersetorial e a mobilização do controle social permitiram que os municípios superassem a resposta imediata aos desastres, construindo uma governança regional proativa e resiliente frente aos desafios climáticos contemporâneos.
Referências
BRASIL. Portaria nº 1.996/2007. Diretrizes da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde.
BRASIL. Lei nº 8.142/1990. Participação da comunidade na gestão do SUS. CONASEMS. Estratégia Apoiador: orientações técnicas. Brasília, 2021.
Contato
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