Experiências que transformam:
uma rede em movimento
Governança em colaboração: Fortalecimento das CIRs (espaços de governança do SUS)

Da baixa adesão à participação efetiva: reuniões itinerantes como inovação na gestão regional do SUS

Autor: Marcieli Adelaine Pereira Ferreira | Apoiador(a) | COSEMS Paraná
ID: 128

Introdução

A Comissão Intergestores Regional (CIR) e o Conselho Regional de Secretarias Municipais de Saúde (CRESEMS) são espaços estratégicos de pactuação e tomada de decisão no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), essenciais para a governança regional e a organização da rede de atenção à saúde. Na 4ª Região de Saúde do Paraná, com sede em Irati e composta por nove municípios, as desigualdades territoriais e organizacionais dificultavam a regionalização e a cooperação intermunicipal. Observava-se baixa participação dos gestores nas reuniões da CIR e do CRESEMS, fragilizando os processos de pactuação e o planejamento regional. Diante desse cenário, foram instituídas as reuniões itinerantes como estratégia para aproximar os gestores dos espaços decisórios, valorizar as realidades locais e fortalecer a governança regional do SUS.

Objetivos

Relatar a experiência da implementação das reuniões itinerantes no âmbito da CIR e do CRESEMS, evidenciando seus impactos na governança regional, na participação dos gestores e no fortalecimento do SUS.

Metodologia

Trata-se de um relato de experiência, de abordagem qualitativa, desenvolvido a partir da vivência na gestão regional do SUS. As reuniões passaram a ocorrer mensalmente, de forma descentralizada, nos municípios da região, com deslocamento dos gestores municipais e da equipe da Regional de Saúde até o município anfitrião. As pautas eram previamente pactuadas entre a presidência do CRESEMS, o apoio institucional e o gestor local. Em cada encontro, o município sede apresentava uma experiência exitosa, promovendo a troca de saberes, a aprendizagem coletiva e a qualificação das discussões, fortalecendo o planejamento regional e a tomada de decisões compartilhadas.

Resultados e discussão

A implementação das reuniões itinerantes representou avanço significativo na governança regional do SUS, consolidando-se como estratégia de descentralização e fortalecimento da gestão compartilhada. Observou-se aumento expressivo e sustentado da participação dos gestores municipais, evidenciando maior engajamento e corresponsabilização regional. Em julho, em Imbituva, participaram sete dos nove gestores; em agosto, em Mallet, houve participação integral. Nos meses seguintes, a adesão manteve-se elevada, com oito gestores presentes em setembro, em Rio Azul, e outubro, em Fernandes Pinheiro, culminando em novembro, em Rebouças, com a participação dos nove municípios. Em dezembro, em Inácio Martins, mesmo com menor presença, manteve-se o compromisso regional. Os resultados demonstram fortalecimento do sentimento de pertencimento, ampliação do diálogo intermunicipal e qualificação dos processos de pactuação.

Considerações finais

As reuniões itinerantes consolidaram-se como estratégia inovadora e de baixo custo para fortalecer a governança regional e a regionalização do SUS, ampliando a participação dos gestores, qualificando os processos decisórios e configurando-se como prática exitosa e replicável em outras regiões de saúde.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Regionalização da Saúde. Série Pactos pela Saúde. Brasília: MS, 2010.

BRASIL. Ministério da Saúde. Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011. Regulamenta a Lei nº 8.080/1990, dispondo sobre a organização do SUS, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa. Brasília: MS, 2011.

CONASS. Governança regional no SUS. Brasília: Conselho Nacional de Secretários de Saúde, 2018.

MENDES, E. V. As redes de atenção à saúde. 2. ed. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2011.

MINAYO, M. C. S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14. ed. São Paulo: Hucitec, 2014.

Contato

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