Introdução
A Comissão Intergestores Regional (CIR) é uma instância deliberativa composta por representantes do estado e dos secretários municipais de saúde. A regionalização, diretriz organizativa do Sistema Único de Saúde (SUS), exige estratégias que aproximem os processos decisórios dos territórios e considerem suas especificidades. Nesse contexto, a CIR configura-se como espaço central para o fortalecimento da governança regional. A realização de reuniões itinerantes da CIR nas macrorregiões de saúde surge como estratégia para ampliar a participação dos gestores municipais, qualificar as pactuações e fortalecer o diálogo interfederativo, alinhando-se aos pressupostos do apoio institucional ao valorizar o território, a cogestão e a corresponsabilização (RIGHI, 2010).
Objetivos
Descrever a experiência das apoiadoras institucionais do COSEMS/RS na organização e realização das reuniões da CIR de forma itinerante nas macrorregiões de saúde do RS, analisando suas contribuições para o fortalecimento da regionalização do SUS.
Metodologia
Trata-se de um relato de experiência, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, desenvolvido a partir da atuação das apoiadoras institucionais da Rede CONASEMS–COSEMS, em articulação com a SES/RS e as Coordenadorias Regionais de Saúde (CRS). A estratégia das reuniões itinerantes consiste na realização das reuniões de CIR em diferentes municípios-sede das macrorregiões de saúde, a qual surgiu como estratégia para ampliar a participação dos gestores municipais nesse espaço. No que se refere a organização a escolha do local ocorre mediante manifestação voluntária dos municípios interessados em sediar o encontro, garantindo previsibilidade, organização logística e equidade regional.
Resultados e discussão
Observou-se maior protagonismo dos municípios nas discussões e pactuações, além de maior aproximação das decisões às realidades territoriais. A itinerância favoreceu a integração entre gestão estadual, CRS e secretarias municipais de saúde, fortalecendo o diálogo interfederativo e a corresponsabilização. A atuação das apoiadoras institucionais mostrou-se fundamental desde o planejamento até o engajamento dos gestores, contribuindo para a mediação dos diálogos, organização dos fluxos e qualificação das discussões, em consonância com os princípios do apoio institucional.
Considerações finais
As reuniões itinerantes configuram-se como uma estratégia relevante para o fortalecimento da regionalização do SUS, ao promover maior participação, integração e qualificação das pactuações interfederativas. A itinerância promove maior engajamento municipal, empoderamento dos gestores, maior apropriação das agendas em pauta. A experiência descrita evidencia a importância do apoio institucional e da atuação colaborativa entre CONASEMS, COSEMS, CRS e SES, indicando o potencial de replicabilidade dessa estratégia em outros territórios como dispositivo de fortalecimento da governança regional e da gestão compartilhada do SUS.
Referências
RIGHI, Liane Beatriz. Apoio institucional e a gestão do SUS: o trabalho dos apoiadores institucionais. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 19, n. 4, p. 934–945, 2010.
SANTOS, A. M.; GIOVANELLA, L. Governança regional: estratégias e disputas para gestão em saúde. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 48, n. 4, p. 622-631, 2014.
Contato
evilin.gueterres@cosemsrs.org.br